quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Voa, Amor! Voa e Floresce!

Abri meu terceiro globo ocular
E lobriguei ao amor em liberdade!
Ele voava e cintilava, que beldade
Era ver-te ali, a voar e a queimar!

Abri a terceira cavidade nasal
E aspirei o amor em liberdade!
Desabrochava a flor do roseiral
Como o amor floresce da serenidade!

Abri esse tolo coração apegado
E lhe dei, com a alegria em meu rosto,
Um pouco desse cheiro e desse gosto,

Um pouco da cálida liberdade
A que lobriguei em teu sagrado
Fulgurar! Amo-te e não tenho saudade!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

"Feux Follets"

Cintilavam as pequenas bolhas de vapor
No obscuro pântano em que a caminhar
Estava! Ludibriavam-me, e vou fogo-fatuar
Ao lado delas, combustões insanas do torpor!

Levam-me por caminhos de horror,
E caminho a trilha que me faz rememorar
Minha sanidade, meus medos, meu Amor;
Flores, Harpas, Violinos e seu fúlgido Olhar!

Revelam belos jardins existenciais
Em meio ao temível não-conforto
Da lama e do odor; estranhos roseirais

Desabrochando ao lado do homem aborto
A quem lobrigo nos espelhos akáshicos comunais!
Florescem as Sensações! Hiperestesia... Estou Morto!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Duplo-Soneto da Efervescência

- I

Fui ao encontro do teu Gélido
Mar, com o desejo de apagar
Esta chama que vive a queimar
Este meu ansioso peito Cálido!

Nas águas então, achei o sereno
Amor que me davas! A Paixão
Plena e bela, oriunda da conjunção
Dos nossos amores helenos! Pleno

Eu agora me sentia, a incinerar
A água que me encobria,
Que agora a me esquentar

Apaixonadamente perdida, vivia!
Floresci à explosão astral pelo ar,
Cintilações duais! Amada, eu te sentia!

- II

E também sentia o teu Amor,
Tão perto de mim embora tão distante;
Queria ser esse ser assim, errante,
Para que pudesse beber de teu Calor!

Mas bebia apenas da abençoada
Água ardente da Saudade,
E a saudade ardente da Deidade
Querida, desejada, ostracizada,

Fervia lá dentro, bem no fundo
Desse coração incendiado
Pelas chagas de um lugar imundo

Em Que havia me trancafiado!
Sou agora este tolo sitibundo
Que bebe do mar, por ti, desesperado!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Roubei-lhe o Coração!

- Fitei-te! Bela, muito bela e sensual
Mostrava-te! Quis te roubar as ternas
Mãos e os seios e os lábios e as pernas,
Furtar-te inteira, todo teu corpo bestial!

O alvoroço começou na taberna:
- Perdoa-me, mas é um infortúnio pessoal
Que eu tenha que, de forma natural,
Arrancar-lhe a tua parte que é verna!

Segui minhas próprias palavras de forma literal,
Dilacerei-te toda com minha afiada e cordial
Adaga! Joguei-te toda la fora, dentro da cisterna,

Guardei-te apenas o coração austral,
Esse por quem me apaixonei de forma torrencial;
Lágrimas e gritos ecoavam: Amo-te Maviosa Ernna !

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

To Jambrate

Fodo-te, fodo tua prima e tua irmã,
Fodo desde as magras às mais enxutas,
Fodo as santas, as galinhas e as putas
E se um dia puder, fodo até uma anã!

Aqui em minha terra querida, foder é jambrar!
E jambro com todas as mulheres: Inglesas,
Alemãs, Argentinas, Tchecas, Holandesas,
Jambro a noite inteira até o sol raiar!

Mas queria mesmo era repousar
Dentro de ti! Adormecer em sua entranha
E depois de uma noite voluptuosa acordar

Compenetrado em teu belo ser,
Queria os teus belos Lábios comer
E regozijar nessa lasciva campanha!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Meu frágil corpo!

Como pode o ser com o corpo em desordem
Subir aos picos existenciais mais altos,
Dar os espirituais saltos
Quando as dores sua carne lhe corroem ?

Enxaqueca, Febres que lhe ardem
Tão lá no fundo do espírito,
E é sabido que não é nenhum mito
Que as dores a iluminação tardem!

A Fome e os súbitos Devaneios
Provenientes da pressão baixa, do enleio
Intrínseco das doenças de meu corpo fraco!

Sinto que de fato jovem morrerei,
Desolado pela Morte a me abraçar, farei
Do pesar um eterno deleite opaco!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Volúpia Viciosa

Vício que me consome, que me come,
Que me ama, que me odeia, que me completa!
Sou esse vicioso que é também asceta,
Que se entrega ao amor e à fome!

Amo esse vício irremediável em amar
As vicissitudes das paixões que não se dão,
Que vivem a errar mortas no chão
e nunca sobem bem alto ao céu para voar!

Sou pecaminoso ao olhar para esse teu belo corpo
De bailarina toda formosa, que me deixa entorpo
E agita essa vil lascividade pomposa...

Sonho com as tuas, amarradas às minhas, pernas,
Tua boca me beija, tuas carícias tão ternas!
Ah como queria consumir essa bailarina viçosa!

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