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domingo, 16 de janeiro de 2011

Prelúdio para a noite de um poeta!

Deitara e decidira sonhar: Seus músculos relaxavam enquanto adentrava no mundo onírico do subconsciente, enquanto a tênue linha que sustenta a realidade era apagada e reescrita pelos sonhos. Era um bar, escurecido pela noite, à meia-luz provinda de postes espalhados pela rua; Via-se alguns loucos boêmios a jogarem uma estranha partida de um não-tão-comum jogo, de uma não-tão-estranha forma, a rirem e regozijarem suas perdidas juventudes! Éramos em oito distintas pessoas, cujos rostos não me recordo bem; sentia o coração batendo mais acelerado quando olhava para aquela extravagante mulher e o reflexo da lua vindo de seus óculos. Em que distinto planeta estaria eu vagando? De qual mísero e sofrível ser vinha tal vislumbre apaixonado e amargurado, incerto? De que tresloucado surgia a necessidade de sentir aquela fragrância há muito esgotada? Se sentia pena dele ou de mim, já não podia mais dizer, conforme a sensação de ser quem sou e não quem estava sendo durante o devaneio me transbordava mais e mais! Mas sentia pena: trocou/troquei impérios de ouro, infindáveis mulheres belas pela incerteza de um amor cujas chances de florescer já não mais existiam, pela tola esperança de que uma flor possa desabrochar durante o outono! Rodei em torno do meu próprio corpo para mudar o cenário. Estava novamente no quarto: Sonhos...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Não me vistes ?

Ora te amo, Ora te odeio,
Ora te odeio, Ora te amo!
E te amo quando acaricio teu seio,
E te odeio quando surda ao meu reclamo!

Mas, quando surda também te amo,
E no teu seio também te odeio;
Te odeio quando por ti chamo,
E não me ouves, nem quando gorjeio!

Não sei se te quero distante,
Ou se te quero aqui bem perto...
Sei que te quero, e que te quero bastante!

E amo esse destino incerto:
Ora te odeio, Ora te desejo!
Ora teu desprezo, Ora teu beijo!

domingo, 25 de julho de 2010

Teu Perfume!

Por favor, queria mais uma vez
Outra dose da tua fragrância!
Sentir perto teus lábios, talvez
O Afago e o amor! A dor e a ânsia!


Dizem-me Louco, imundo viciado,
Não nos fármacos, tampouco
Em teus beijos! Por amar, Louco,
As não-carícias, amar não ser amado!


Uma! Uma dose a mais de teus dramas!
Deixa eu sentir a tua tortura,
Teu reclamo, tuas pernas, tua doçura!


Deixa eu sonhar que ainda me amas
Como outrora havias me amado,
Como se nunca houvesses me deixado!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Samsara de um Poeta apaixonado!

Amo-te na madrugada minha flor,
E depois acordo com a fragrância de maçã,
E Te amo novamente durante a manhã,
Ainda que ardam no peito o exílio e a dor!

Caminho em solitude durante o Alvor,
Sinto teu cheiro florido de hortelã,
Espero chegar a tarde, para que meu Amor
Por ti, tenha agora, este sabor de romã!

Chega o nascer-da-lua e a noite escura,
E Volto a te amar e beijar tua doçura
E beijar teus lábios com sabor de avelã!

E Te amo mesmo durante os eclipses,
Precisariam de Milhares de apocalipses
Para que não te amasse de novo amanhã!

domingo, 23 de maio de 2010

Nasce o Inverno e Morre a Primavera

No silêncio fúlgido do anoitecer,
Na quietude notívaga do campo
Ouvia os estalos do gotejar
Lacrimal que nascia lamuriado!

Campo florido, Coração amargurado,
Amor em abundância a te envenenar!
Choviam meus olhos, Peito em relampo
Com o vislumbre da orquídea a desvanecer !

Ai... Ânsia infinita inverbável,
Raras essências no escuro a brilhar,
Cintilações Astrais em meio à ventania!

Gritava, e a boca nada dizia!
Chorava, e os olhos ali a desejar
Que teu esvaído perfume fosse infindável!


E desejava... Muito... Mas não era...

domingo, 25 de abril de 2010

O Beijo Terno

À minha Flor, eterna Agnes, eterna Falaenopolis!


Dorme, dorme! Viva no sonho
O amor que findou na vida!
E sonha a amada toda florida,
Seus cabelos amarrados ao monho!

E lembra dos beijos com ternura,
Dos abraços e do afago colorido,
Sente, dormindo, a loucura
Do amor que na vida fora esquecido!

E esquece o coração amargurado,
E o vívido afago desolado,
Esquece o seu toque e o desejo,

E viva toda a vida ansiando
Que, um dia não estando sonhando,
Possas sentir novamente seu beijo!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Morre o meu amor no cemitério!

Era a luz do luar que me iluminava!
E Eu carregava o corpo vivo e lúrido,
Corpo que haveria de se tornar pútrido,
Corpo que um dia no passado eu amava!

E Essa luz reveladora, tão triste e branca,
Parecia transmitir-me, desolada, a chaga
Que em seu coração morava, Como se uma adaga
Houvesse perfurado o peito da pobre Espanca!

Amo-te Florbela e não amo a mais ninguém,
Nem o outro, nem aquele, nem toda gente!
Queria teu amor, mas só tenho o teu desdém!

"Não há mais a paixão da Primavera florida",
Enterro-te aqui no cemitério, eternamente,
Seja este amor na morte, o que nunca foi na vida!

terça-feira, 23 de março de 2010

Falaenopolis

Caos! Tudo por fora tão agitado
E tudo por dentro tão silencioso...
Como pode tudo surgir, do Eu ocioso,
E em nada ser transubstanciado ?

Ordem! Tudo por fora tão quieto
E tudo por dentro tão conturbado,
Do vácuo, tudo germina, nadificado!
Da plenitude, tudo se dizima, repleto!

Ouso-te a dilacerar essa atonal
Poesia que hoje, feliz, desabrochou:
Sorri, chora e canta para ti este belo fado,

Minha Falaenopolis! Corre o fluvial
Verso nas veias minhas, flor, eu que sou
Nada de ti ausente e Tudo ao teu lado!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Voa, Amor! Voa e Floresce!

Abri meu terceiro globo ocular
E lobriguei ao amor em liberdade!
Ele voava e cintilava, que beldade
Era ver-te ali, a voar e a queimar!

Abri a terceira cavidade nasal
E aspirei o amor em liberdade!
Desabrochava a flor do roseiral
Como o amor floresce da serenidade!

Abri esse tolo coração apegado
E lhe dei, com a alegria em meu rosto,
Um pouco desse cheiro e desse gosto,

Um pouco da cálida liberdade
A que lobriguei em teu sagrado
Fulgurar! Amo-te e não tenho saudade!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Duplo-Soneto da Efervescência

- I

Fui ao encontro do teu Gélido
Mar, com o desejo de apagar
Esta chama que vive a queimar
Este meu ansioso peito Cálido!

Nas águas então, achei o sereno
Amor que me davas! A Paixão
Plena e bela, oriunda da conjunção
Dos nossos amores helenos! Pleno

Eu agora me sentia, a incinerar
A água que me encobria,
Que agora a me esquentar

Apaixonadamente perdida, vivia!
Floresci à explosão astral pelo ar,
Cintilações duais! Amada, eu te sentia!

- II

E também sentia o teu Amor,
Tão perto de mim embora tão distante;
Queria ser esse ser assim, errante,
Para que pudesse beber de teu Calor!

Mas bebia apenas da abençoada
Água ardente da Saudade,
E a saudade ardente da Deidade
Querida, desejada, ostracizada,

Fervia lá dentro, bem no fundo
Desse coração incendiado
Pelas chagas de um lugar imundo

Em Que havia me trancafiado!
Sou agora este tolo sitibundo
Que bebe do mar, por ti, desesperado!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Roubei-lhe o Coração!

- Fitei-te! Bela, muito bela e sensual
Mostrava-te! Quis te roubar as ternas
Mãos e os seios e os lábios e as pernas,
Furtar-te inteira, todo teu corpo bestial!

O alvoroço começou na taberna:
- Perdoa-me, mas é um infortúnio pessoal
Que eu tenha que, de forma natural,
Arrancar-lhe a tua parte que é verna!

Segui minhas próprias palavras de forma literal,
Dilacerei-te toda com minha afiada e cordial
Adaga! Joguei-te toda la fora, dentro da cisterna,

Guardei-te apenas o coração austral,
Esse por quem me apaixonei de forma torrencial;
Lágrimas e gritos ecoavam: Amo-te Maviosa Ernna !

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Volúpia Viciosa

Vício que me consome, que me come,
Que me ama, que me odeia, que me completa!
Sou esse vicioso que é também asceta,
Que se entrega ao amor e à fome!

Amo esse vício irremediável em amar
As vicissitudes das paixões que não se dão,
Que vivem a errar mortas no chão
e nunca sobem bem alto ao céu para voar!

Sou pecaminoso ao olhar para esse teu belo corpo
De bailarina toda formosa, que me deixa entorpo
E agita essa vil lascividade pomposa...

Sonho com as tuas, amarradas às minhas, pernas,
Tua boca me beija, tuas carícias tão ternas!
Ah como queria consumir essa bailarina viçosa!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

“A luz que nunca foi lampejo”

Desolado, sou o rio que nunca chega a ser mar, a semente
Ainda não germinada! Ouço nosso amor como esse
Acorde dominante tensionado sem resolução,
Como as mais belas palavras mudas que nunca se pronunciarão!

A queda que não se concretiza, a volúpia não consumida,
A explosão solar que nunca chega a ser faísca! Vislumbro essa
Paixão como o cego que vive a imaginar o cálido toque de sua mão!
E Meu beijo, junto ao teu, produz em um breve momento
O ápice da paixão que jaz morto na estase do nada. Somos a

Memória ainda não gravada, a lágrima não derramada, as confissões
irreveladas!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A Flor e o Louco

Vivo os sonhos desesperançosos e sonho
A vida repleta de amores e odes!
Vivo de ti exilado, tristonho,
Sonho-me ao lado de ti, bela Falaenopolis!

Flor dos meus devaneios que nunca de mim se ausente
Quando eu, assim for, cárcere deles! Que nunca de mim se aproxime
Enquanto vivo! Que nunca, imploro-lhe, abomine
A demência que lhe mantém viva, presente!
Que me ame no momento duradouro e ensandecido

E que me odeie quando por, ti, apaixonadamente estiver perdido!

Queima, arde, carvoeja e incinera!

Tragam todas as réguas para que se meça
O incomensurável! Reúnam todas as balanças
Para que se possa verificar a massa do indeterminado,
Do infinitésimo! Os barômetros, os dinamômetros,

Tragam todos os instrumentos, dos mais inimagináveis
Aos únicos, dos únicos aos raros, dos raros aos comuns;
E com toda essa criatividade tecnocrática ousem medir
O incinerar do meu coração,
Quantifiquem a reação e então declamem

Qual a entropia das cinzas do meu peito carvoejado!

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